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Casal condenado a prisão efetiva por rapto e extorsão de empresário de Vale de Cambra

13-3-2026, Vale de Cambra     586     Partilhar Postar X

Um casal foi condenado a penas de prisão efetiva pelo Tribunal Judicial da Comarca de Aveiro, após ter sido acusado de raptar e extorquir mais de 45 mil euros a um intermediário financeiro de Vale de Cambra.

De acordo com o acórdão, consultado pela agência Lusa, a pena mais elevada foi aplicada à mulher, uma empresária de nacionalidade angolana, condenada a cinco anos e oito meses de prisão. O homem, de nacionalidade brasileira, foi condenado a cinco anos e quatro meses de prisão.

As penas resultam do cúmulo jurídico pelos crimes de rapto, extorsão e abuso de cartão de garantia ou de cartão, dispositivo ou dados de pagamento. A arguida foi ainda condenada por um crime de coação na forma tentada.

O acórdão, datado de 9 de fevereiro, determina também que os dois arguidos, que se encontram em prisão preventiva, terão de pagar solidariamente uma indemnização de cerca de 50 mil euros ao ofendido e a duas empresas.

Versão da arguida

Durante o julgamento, a mulher, de 42 anos, negou as acusações, afirmando ter sido enganada pelo ofendido, que acreditava ser diretor de um banco. Segundo relatou, teria pago cerca de 40 mil euros a ele e a um alegado sócio para obter um empréstimo de três milhões de euros, que nunca se concretizou.

A arguida admitiu ter-se encontrado com o intermediário num café em São João da Madeira para exigir o dinheiro de volta, mas negou ter usado uma faca ou exercido violência. Também o homem corroborou esta versão, afirmando que não houve ameaças nem agressões.

Decisão do tribunal

Contudo, o coletivo de juízes considerou que a versão apresentada pelos arguidos não era credível e foi contrariada pela descrição feita pela vítima.

O tribunal deu como provado que, em 8 de fevereiro de 2024, o intermediário foi atraído para um encontro num café em São João da Madeira, onde acabou por ser forçado a entrar numa viatura sob ameaça de uma faca.

Segundo a decisão judicial, os arguidos amarraram as mãos da vítima com uma corda e taparam-lhe a visão, circulando com ela por vários concelhos dos distritos de Aveiro e Porto. Durante o percurso, exigiram 80 mil euros, retiraram-lhe os cartões bancários e realizaram pagamentos e levantamentos que ultrapassaram 45 mil euros.

A vítima acabou por ser libertada cerca de oito horas depois, novamente em São João da Madeira, sob a condição de entregar 100 mil euros no prazo de oito dias.



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