Investigadores da UA mais perto de revolucionar área das telecomunicações

2-9-2022, Região     467


Depois de uma experiência que durou seis anos, investigadores da Universidade de Aveiro (UA) conseguiram provar a eficácia de um semicondutor, nitreto de gálio (GaN), na utilização de satélites.

Esta tecnologia voou pelo espaço para provar que é possível fazer satélites mais eficientes e está mais perto de substituir os transístores utilizados atualmente. O estudo deu origem a um artigo publicado no periódico Scientific Reports (grupo Nature).

Corria o ano de 2012 quando um Consórcio financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA) iniciou um projeto que pretendia desenvolver experiências a bordo do Alphasat, um satélite de telecomunicações. O objetivo era utilizar um inovador transístor com nitreto de gálio, um semicondutor usado para amplificar ou trocar sinais eletrónicos.

Foi a primeira vez que o consórcio europeu levou para o espaço nitreto de gálio, o semicondutor que em 2013 prometia revolucionar o mundo das telecomunicações via satélite. O GaN foi utilizado num circuito eletrónico, desenvolvido pelo Instituto de Telecomunicações (IT) da Universidade de Aveiro, e o objetivo foi testar se os transístores feitos com aquele material eram mais resistentes à radiação cósmica, uma radiação capaz de prejudicar o desempenho das operações espaciais.

Durante seis anos a equipa de investigação, da qual fazem parte Nuno Borges Carvalho, Hugo Mostardinha e Diogo Matos, estudou os efeitos da utilização do GaN no espaço. O artigo, agora publicado na prestigiada revista Nature, confirma as suspeitas iniciais: esta tecnologia tem capacidade para operar no espaço e tornar-se uma solução viável para a substituição dos sistemas tradicionais.

Porquê utilizar Nitreto de Gálio?

Nuno Borges, coordenador da equipa, dizia ao Jornal Online, em 2013, que esta nova tecnologia parecia ter as condições necessárias para substituir a tecnologia atual, facto que agora se comprova.

O que ganhamos com isto a partir da Terra? Serviços mais baratos. Uma diminuição do consumo energético dos satélites de telecomunicações pode significar que os serviços por eles prestados diminuam de preço, ao haver uma rede de telecomunicações via satélite.

Nuno Borges explica que a “eletrónica baseada em GaN mudará a maneira como construímos sistemas no espaço”. O Investigador e docente do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática (DETI) vai mais longe e diz que os sistemas tradicionais serão “completamente substituídos e poderão ser construídos com transístores de nitreto de gálio”.

A alteração nos sistemas já está a acontecer para satélites de baixa órbita, explica o Investigador, que acredita “que acontecerá em breve para outros sistemas e para alguns dos principais componentes de um satélite, como por exemplo os sistemas de telecomunicações” ou para outros tipos de satélites.


imagem topo
PUB